Quem pensou que a era do streaming seria a salvação de todos os nossos perrengues televisivos, pode começar a rever seus conceitos. Longe de ser o paraíso da programação sob demanda, as plataformas digitais estão demonstrando que, no fundo, os problemas e as “pedras de tropeço” são exatamente os mesmos que há tempos atormentam a boa e velha TV aberta. Parece que a tecnologia muda, mas a dor de cabeça do espectador, essa não tem jeito de acabar.
Se antes a gente reclamava dos atrasos na programação, dos programas repetidos à exaustão e da falta de inovação na telinha tradicional, agora a frustração migrou de endereço, mas não de natureza. No mundo do streaming, os “atrasos” se manifestam em legendas que não batem com o áudio, em lançamentos de episódios que demoram uma eternidade para chegar ao Brasil, ou até mesmo em bugs irritantes que travam a maratona na melhor parte. E não para por aí: a “pedra de tropeço” também vem na forma de interfaces confusas, de conteúdos que somem do catálogo do nada e de aumentos de preços que fazem a gente se perguntar se o “custo-benefício” ainda vale a pena.
Ou seja, a promessa de um entretenimento sem falhas e totalmente sob controle do usuário parece estar cada vez mais distante. O que sobra é a constatação de que, independentemente da plataforma, a gestão, a busca por lucros a qualquer custo e, claro, a velha mania de não entregar o que se promete, são problemas universais. No fim das contas, seja na TV aberta ou no streaming, a pipoca continua sendo a mesma, e a irritação também.