A Copa nem acabou, mas uma polêmica extracampo já deu o que falar e levantou a bandeira do feminismo no jornalismo esportivo. O ex-jogador e agora senador Romário virou centro das atenções ao tentar “legendar” a jornalista Fernanda Gentil durante a cobertura do mundial. Em outras palavras, Romário tentou dar uma “aula” de futebol para Gentil, como se ela, uma profissional experiente da área, precisasse de explicações básicas sobre o esporte que cobre há anos. A cena, transmitida ao vivo, rapidamente gerou burburinho nas redes e entre a mídia.
Mas o que poderia ser só um deslize virou um debate sério sobre o machismo persistente no jornalismo esportivo. A jornalista Marília Ruiz foi categórica ao afirmar que a atitude de Romário não foi um caso isolado, mas sim um reflexo do “mal” que assola o mundo do futebol. Segundo Ruiz, a tentativa de Romário de desqualificar a fala de Gentil ou colocá-la em uma posição de menor conhecimento expõe uma cultura onde mulheres ainda precisam provar sua competência em um ambiente dominado por homens.
O episódio com Fernanda Gentil, que é uma das vozes femininas mais respeitadas na cobertura esportiva, reacende a discussão: até quando profissionais como ela terão que lidar com comentários condescendentes e tentativas de diminuir seu trabalho? É chocante que, em pleno 202X, figuras públicas ainda se sintam no direito de patrulhar o conhecimento de mulheres em áreas que elas dominam. E aí, Romário, a bola da vez não é a Copa, mas a necessidade de respeito e equidade no gramado (e fora dele!) do jornalismo.