Hoje, a Band estreia em sua grade de programação (em uma parceria estratégica com a HBO/Max) a nova versão de Dona Beija. A trama, que promete reviver o glamour e os conflitos do Brasil imperial, é baseada em uma figura histórica real cuja vida foi cercada de mitos, poder e quebra de tabus no século XIX.
Mas quem foi, de fato, essa mulher que parou o Triângulo Mineiro e se tornou uma das lendas mais persistentes do nosso folclore?
A Mulher por Trás do Mito: Ana Jacinta de São José

Nascida em Formiga (MG) por volta de 1800 e radicada em Araxá, Ana Jacinta de São José não era apenas uma personagem de ficção. Ela foi uma mulher de carne e osso que desafiou as convenções sociais de uma época em que o destino feminino era estritamente doméstico.
A trajetória de Ana Jacinta mudou drasticamente em 1815, quando sua beleza despertou a obsessão do Ouvidor do Rei, Joaquim Inácio Silveira da Motta. Ela foi raptada por ele e levada para a Vila de Paracatu, onde viveu como sua concubina durante anos.
O Retorno e a Ascensão de “Beja”
Após o retorno do Ouvidor para Portugal, Ana Jacinta voltou para Araxá. No entanto, o acolhimento não foi o que ela esperava: a sociedade local a rejeitou, rotulando-a como uma mulher “perdida”.
Em vez de se esconder, ela deu a volta por cima:
- Chácara do Jatobá: Construiu uma propriedade luxuosa que se tornou o centro da vida social e política da região.
- A Cortesia do Poder: Diferente do que muitos pensam, Beja não era uma prostituta comum. Ela selecionava seus visitantes — homens poderosos e influentes — e exercia grande influência política e econômica através dessas relações.
- O Banho de Beleza: Reza a lenda que sua juventude e beleza eterna vinham de banhos diários na Fonte da Jumenta, cujas águas milagrosas (hoje famosas pelas propriedades radioativas de Araxá) mantinham sua pele impecável.
Por que “Beja”?
O apelido, segundo historiadores, foi dado por seu avô, que a comparava à doçura e beleza da flor do beijo. Com o tempo, a grafia evoluiu para “Beija”, como ficou popularizada na teledramaturgia brasileira.
O Fenômeno na TV: Da Manchete para a Band/HBO

A história de Dona Beija já é um marco na televisão brasileira. Em 1986, a Rede Manchete produziu a versão original, protagonizada por Maitê Proença, que se tornou um sucesso estrondoso e foi exportada para diversos países.
A nova versão que chega hoje à Band, em colaboração com a Max (HBO), traz Grazi Massafera no papel título. A proposta é uma releitura moderna, com ritmo de série e uma estética cinematográfica, mas mantendo a essência da mulher que preferiu ser odiada pela sociedade a ser submissa a ela.
“Dona Beija não foi apenas uma mulher bonita; foi uma sobrevivente que transformou sua dor em autonomia em um mundo feito por e para homens.”
O que esperar da estreia de hoje?
A parceria entre a Band e o streaming marca um novo momento da TV aberta, trazendo uma produção de alto orçamento para o grande público. Espere por:
- Reconstituição de época impecável: Minas Gerais do século XIX retratada com rigor estético.
- Conflitos éticos: A luta de Beja para reencontrar seu grande amor, Antônio Sampaio, após anos de cativeiro.
- Empoderamento histórico: Uma visão mais profunda sobre a independência financeira e emocional da protagonista.
Dona Beija estreia hoje na Band. Prepare-se para conhecer (ou redescobrir) a mulher que transformou o escândalo em lenda.