A aguardada “Quem Ama Cuida”, nova novela das nove da Rede Globo, mal estreou e já está dando o que falar. Com texto de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, a trama que substituiu “Três Graças” no dia 18 de maio, já em seus primeiros capítulos, expõe de forma contundente uma realidade cruel da própria televisão: a incessante busca por resultados imediatos e picos de audiência a qualquer custo.
Essa metalinguagem é um dos pilares iniciais da produção. A novela, que por si só faz parte de um horário de grande pressão por números, utiliza sua narrativa para criticar as engrenagens de um sistema que exige respostas rápidas e, muitas vezes, sacrificam a qualidade ou a profundidade em nome do impacto instantâneo. A dupla de autores, mestres em abordar temas espinhosos, não hesita em expor as consequências dessa cultura de imediatismo.
Para o público do Farofa, sempre atento às entrelinhas, a chegada de “Quem Ama Cuida” representa um interessante paradoxo: uma novela das nove que, ao mesmo tempo em que precisa entregar resultados para sobreviver, critica exatamente essa necessidade. Resta saber se a ousadia em abordar um tema tão sensível para a indústria será mantida, e se a trama conseguirá brilhar sem sucumbir à própria pressão que denuncia.