A Copa do Mundo de 2022 mal começou e já deixou uma vítima inesperada no meio de campo: o rádio esportivo. Longe de ser a companhia vibrante de outrora, o veículo parece ter trocado o microfone pela câmera, tentando desesperadamente virar uma espécie de TV sem imagem. A ambição de se aproximar da telinha está custando caro: a própria identidade.
A estratégia de querer “narrar o que se vê” na televisão, em vez de “pintar o campo com a voz” para quem não vê, tem sido um gol contra. O que antes era imaginação, som ambiente, vozes marcantes e a capacidade de transportar o ouvinte para dentro do estádio com apenas uma onda sonora, agora se resume a descrições redundantes e a uma tentativa frustrada de competir com o visual.
No esforço de se aproximar da telinha, o rádio esportivo esqueceu de ser ele mesmo, perdendo sua essência e, consequentemente, seu público fiel. Em vez de vibrar com os jogos, o ouvinte está trocando a frequência ou simplesmente desligando o aparelho. Fica a dica: rádio é rádio, e a magia está justamente em nos fazer *imaginar*, não em tentar nos mostrar o que já estamos vendo na TV.