O “Domingão” da TV Globo está em uma encruzilhada digital. A internet, com toda a sua imensidão, não está cabendo inteira dentro da caixinha da TV. O programa estaria descobrindo, na marra, que o mundo online e o televisivo operam sob lógicas distintas, e o que bomba em uma plataforma nem sempre reflete o sucesso na outra. A premissa de que a web é a nova mina de ouro para a audiência da telinha está sendo colocada à prova.
O cerne da questão reside na ilusão de que milhões de seguidores nas redes sociais se transformam, de forma automática e instantânea, em telespectadores fiéis. Essa matemática, que talvez muitos executivos tentaram aplicar, não só não funciona agora como, segundo a análise, “nunca aconteceu assim”. A interação fugaz de um feed, um story ou um vídeo viral não se compara à permanência e ao compromisso exigidos para sentar no sofá e acompanhar um programa de TV por horas.
Para o “Domingão” e outros que buscam surfar na onda digital, o recado é claro: é preciso mais do que um exército de fãs no Instagram ou TikTok. A televisão demanda uma linguagem, um ritmo e uma narrativa que vão muito além dos likes e visualizações. A internet pode ser um oceano, mas a TV ainda é um rio com correntezas próprias. E parece que o barco do “Domingão” está sentindo a força delas.