O desfile cívico de 7 de setembro é, por excelência, um marco da soberania e da pluralidade nacional. No entanto, a cobertura realizada pela TV Gazeta durante o evento de hoje demonstrou que, para a emissora, a independência parece ter lado e preferência política. Em um claro exercício de jornalismo parcial, as lentes e os microfones do canal sofreram de uma miopia seletiva: focaram exclusivamente nos representantes da direita, cobrindo os olhos para as lideranças de centro e de esquerda que também prestigiavam a celebração.
A evidência dessa inclinação editorial não se restringe à tela da TV. Nas redes sociais, um rápido olhar no Instagram oficial do portal de notícias da emissora, conforme a captura de tela, escancara a mesma seletividade, com publicações que destacam única e exclusivamente os momentos com candidatos da direita. Qualquer outra presença política foi sumariamente apagada da vitrine digital do canal.

Esse modus operandi escancarado no Dia da Independência não é um fato isolado. Basta recordar a desproporcionalidade gritante na cobertura da recente visita do candidato Flávio Bolsonaro a Maceió. Enquanto ele foi agraciado com horas de transmissão, atenção irrestrita e holofotes, os demais candidatos tiveram de se contentar com menções protocolares, rápidas e burocráticas nos telejornais da casa.
É preciso restabelecer a verdade dos fatos contra narrativas que tentam monopolizar os símbolos nacionais. Ao contrário do que tenta emplacar o candidato Leonardo Dias, o 7 de setembro não é, e não foi, uma movimentação exclusiva do bolsonarismo. A prova mais inconteste disso é a própria organização do desfile, promovido institucionalmente pelo Governo do Estado — hoje liderado por Paulo Dantas, cujo alinhamento político apoia a esquerda. Como um evento organizado por uma gestão de viés progressista poderia ser classificado como um ato de um único espectro político?

A avenida pertence ao povo e à democracia. Diversos candidatos de siglas variadas marcaram presença, cumprindo seu papel cívico, ao lado de cidadãos comuns que não comungam com as pautas da extrema-direita e que não votam em figuras como Flávio Bolsonaro — um grupo do qual este que vos escreve faz parte.
O que se observa no cenário midiático local é uma triste guinada editorial. Parece que a desfiliação da Rede Globo abriu as portas para que a TV Gazeta, outrora reconhecida por um jornalismo mais sério e pautado por certa imparcialidade, abandonasse o pudor. Sem as amarras do padrão nacional, o canal vai se transformando, a olhos vistos, em um verdadeiro palanque da direita, falhando com a ética jornalística e prestando um desserviço à sociedade alagoana. O 7 de setembro é de todos, e o jornalismo, quando escolhe um lado, deixa de ser jornalismo para virar propaganda.