Os eleitores alagoanos têm um encontro marcado com a política local na TV Asa Branca, afiliada da Rede Globo. O confronto entre os candidatos está marcado para ir ao ar logo após a novela das nove, às 22h30, no canal aberto da emissora. Por se tratar do encontro de maior visibilidade e do último grande embate televisionado antes da votação de domingo, o momento é decisivo. No entanto, a principal pergunta que ecoa nos bastidores e nas ruas não é sobre as propostas, mas sobre uma cadeira específica: JHC vai realmente comparecer?
A dúvida é legítima e tem razão de existir. Ao longo de toda a campanha eleitoral, a postura de João Henrique Caldas, o JHC, foi marcada pela fuga sistemática dos debates. O candidato simplesmente ignorou os convites e se ausentou dos confrontos organizados por diferentes veículos de comunicação independentes do estado.
O único debate em que JHC aceitou pisar no estúdio foi o promovido pela TV Gazeta, emissora ligada a Fernando Collor de Mello. A escolha seletiva chamou a atenção de eleitores e analistas políticos: por que abrir mão do diálogo com a sociedade nos outros canais e comparecer apenas no território de um aliado político tradicional?
A ausência recorrente nos debates não é apenas uma manobra de marketing de quem prefere o conforto dos vídeos roteirizados e das redes sociais com comentários filtrados. É, acima de tudo, um desrespeito ao eleitor alagoano, que tem o direito inegociável de ver quem pretende governar respondendo a perguntas difíceis, sem teleprompter, prestando contas de sua gestão e confrontando visões diferentes de futuro.
Caso JHC decida comparecer, os alagoanos finalmente terão a oportunidade de avaliar o candidato sob o escrutínio ao vivo e o contraponto direto. Se optar por mais uma fuga, deixará a TV Asa Branca vazia de um lado e cheia de respostas não dadas do outro, confirmando a estratégia de quem só debate quando o terreno parece previamente garantido.
Resta ao eleitor sintonizar na TV Asa Branca às 22h30 para tirar a prova: veremos um debate de verdade ou mais uma cadeira vazia?
