Parece que virou moda nas emissoras de TV: aquele jornalista que antes tinha uma função específica, agora é um verdadeiro “homem-orquestra”. Câmera, microfone, roteiro e até a edição, tudo nas costas de um só profissional. Essa normalização de funções acumuladas, que muitos tentam vender como um sinal de “versatilidade” ou “otimização”, esconde um risco enorme: a essência do jornalismo, aquela busca pela notícia apurada e de qualidade, está seriamente ameaçada.
Afinal, quando um profissional precisa se desdobrar em mil tarefas, a profundidade da apuração e a riqueza da narrativa fatalmente acabam comprometidas. O tempo que seria dedicado à investigação, à checagem e à construção de uma reportagem robusta é substituído pela correria para dar conta de todas as etapas da produção. É a diferença entre um chef que se dedica a um prato e um que tem que cozinhar a ceia de Natal inteira sozinho. O resultado pode ser funcional, mas raramente atinge a excelência que o jornalismo – e o público – merecem.
O mais preocupante é ver a naturalidade com que essa prática é incorporada, como se fosse um avanço e não uma precarização. Enquanto as emissoras economizam, o telespectador perde em informação, em contexto e, no fim das contas, na própria confiança no que está sendo veiculado. Será que estamos caminhando para um futuro onde a notícia será apenas um checklist de tarefas cumpridas, e não um pilar fundamental para a compreensão do mundo? O Portal Farofa fica de olho e pergunta: vale a pena sacrificar a qualidade em nome da “multifuncionalidade”?