Sons de ‘batidas’ detectados em operação de busca renovam esperança por submarino desaparecido em expedição ao Titanic

Por Redação
21/06/2023

Equipes de resgate estão em uma corrida contra o tempo para encontrar um submarino turístico que tinha como objetivo visitar os destroços do Titanic — mas que está desaparecido desde domingo (18), com cinco pessoas a bordo.

O contra-almirante John Mauger — que lidera a missão da guarda costeira — disse à CBS News que a busca é incrivelmente complexa e que existe um esforço da comunidade internacional para encontrar o submersível.

Nesta quarta-feira (21/6), mais três embarcações chegaram ao local de busca, uma delas com recursos de sonar de varredura lateral.

Acredita-se que as pessoas a bordo do submersível Titan tenham menos de 24 horas de suprimento de oxigênio.

Dois meios de comunicação dos EUA noticiaram um memorando interno vazado enviado ao Departamento de Segurança Interna dos EUA que diz que uma aeronave canadense detectou “sons de batidas” subaquáticas em intervalos de 30 minutos vindos da área de busca.

“O P8 [aeronave canadense] ouviu sons de batidas na área a cada 30 minutos. Quatro horas depois, um sonar adicional foi implantado e batidas ainda eram ouvidas”, noticiou a revista Rolling Stone.

A CNN também relatou uma atualização interna enviada na noite de terça-feira, sugerindo que mais sons foram captados.

“Retorno acústico adicional foi ouvido e ajudará na vetorização de ativos de superfície e também indicando esperança contínua de sobreviventes”, disse o segundo memorando, de acordo com reportagem da CNN.

Uma hora depois dos relatos da imprensa, a Guarda Costeira dos EUA confirmou que uma aeronave de busca canadense havia captado “ruídos subaquáticos”.

Mas Mauger disse que há muitos objetos de metal no local do Titanic que poderiam estar causado o barulho.

Como as equipes de resgate estão trabalhando para encontrar uma embarcação que já está desaparecida há dois dias? Quais equipamentos estão sendo usados para isso? Quão remoto é o ponto em que o submarino desapareceu no Atlântico?

Respondemos a essas perguntas com a ajuda de recursos visuais.

Onde estão acontecendo as buscas?

A tripulação do submarino Titan perdeu contato com seu navio de base na superfície, o Polar Prince, uma hora e 45 minutos depois de iniciar a descida em direção aos destroços do Titanic, no domingo (18).

Os destroços do Titanic estão a cerca de 700 km ao sul da cidade de St John’s, no Canadá, embora a missão de resgate esteja sendo executada a partir de Boston, nos Estados Unidos.

Agências, militares e empresas dos Estados Unidos e do Canadá que atuam em águas profundas estão ajudando na operação de resgate, usando aviões militares, um submarino e sonoboias.

O Polar Prince está recebendo na área o apoio do navio para lançamento de cabos Deep Energy, enquanto o navio de abastecimento Atlantic Merlin está a caminho.

O capitão Jamie Frederick, da Guarda Costeira dos EUA, afirmou que equipes dos EUA e do Canadá “estão trabalhando sem parar” durante as “complexas ações de busca”

O professor Alistair Greig, especialista em submarinos da University College London, diz que um dos grandes problemas é que os socorristas não sabem se devem procurar na superfície ou no fundo do mar — é “muito improvável” o submarino estar no meio do caminho, diz, acrescentando que cada um desses pontos (superfície ou fundo do mar) traz seus próprios desafios.

Buscas na superfície

Segundo a Guarda Costeira dos EUA (USCG, na sigla em inglês), o navio Polar Prince realizou buscas na superfície na noite de segunda-feira (19).

Aeronaves C-130 Hercules pertencentes aos Estados Unidos e ao Canadá também participaram das buscas na superfície, tentando detectar o submarino a partir do ar.

A USCG afirmou que 7.600 milhas quadradas foram vasculhadas.

Frank Owen, ex-diretor do projeto de resgate submarino da Austrália, disse à BBC que a embarcação desaparecida pode chamar os socorristas se conseguir chegar à superfície.

“Há transmissores de rádio, sinais de GPS”, diz ele. “Haverá luzes estroboscópicas e refletores de radar para ajudar as equipes de busca a encontrá-los.”

Se, por algum motivo, o submarino não conseguir enviar esses sinais, a situação seria mais complicada.

“[O submarino] É do tamanho de um grande veículo terrestre e tem a cor branca, então tentar ver isso do ar… “, diz Owen, mostrando pouco entusiasmo por essa opção.

O clima instável e a baixa visibilidade já são desafios que as equipes estão enfrentando no local.

Buscas na profundeza do oceano

As equipes de resgate também devem procurar pelo submarino de 6,7 m de comprimento em profundidades que podem chegar a quase 4 km.

Isso deve ser feito em parte porque sinais de rádio e GPS não podem viajar pela água.

A Guarda Costeira dos EUA confirmou na terça-feira que estenderia a busca para águas mais profundas. Sonoboias também estão sendo colocadas no local.

Esses objetos detectam e identificam objetos que se movem na água — e são frequentemente usados na caça de submarinos inimigos.

Eles capturam sons produzidos por hélices, máquinas e pela própria tripulação eventualmente batendo casco do submarino (detecção passiva). Já a detecção ativa consiste na própria sonoboia emitir um barulho e verificar o eco.

Owen adverte que será muito difícil encontrar o submarino enquanto ele estiver debaixo d’água por conta de seu tamanho e pelo fato de que ele pode estar em meio aos destroços do Titanic.

“É como procurar uma mina em um campo minado”, disse ele à BBC, apontando para a dificuldade de distinguir o submarino dos destroços do transatlântico que afundou no século passado.

Como seria o resgate se o submarino estiver no fundo do mar?

Se as equipes não conseguirem localizar ou levar o submarino à superfície, será necessário obter uma consultoria ainda mais especializada da Marinha dos EUA e do setor privado, segundo o contra-almirante da Guarda Costeira dos EUA John Mauger.

De acordo com a operadora OceanGate, o Titan é um dos cinco submersíveis tripulados do mundo capazes de alcançar o Titanic, que fica a 3.800 metros de profundidade.

Se o Titan estiver no fundo do mar e não conseguir retornar por conta própria, as opções são muito limitadas, de acordo com Greig.

“Embora o submarino ainda possa estar intacto, se ele estiver mais fundo do que 200 m, há pouquíssimas embarcações que podem chegar tão fundo. Certamente mergulhadores não podem. Os veículos da Marinha projetados para o resgate de submarinos tampouco podem descer para um ponto na profundidade do Titanic.”

Qualquer tentativa de vasculhar o fundo do oceano nessa área provavelmente seria realizada por um veículo não tripulado operado remotamente (ROV).

O navio Deep Energy, que chegou ao local na terça-feira, colocou em ação pelo menos um ROV, mas não está claro se ele consegue atingir as profundidades necessárias. Outras embarcações equipadas com ROV estão a caminho.

A Marinha dos EUA tem um ROV que pode operar nessa profundidade e o usou para recuperar um caça a jato acidentado em uma profundidade de 3.780 m no Mar da China Meridional, no ano passado.

O especialista em resgates no oceano David Mearns diz que, se um ROV puder localizar o Titan, conseguirá recuperá-lo.

“Um ROV de alto nível com controles duplos pode realmente agarrar [o Titan] ou conectar uma corda de elevação e puxá-lo lentamente para a superfície”, acrescenta Mearns.

Como é o submarino e que medidas de emergência tem?

No ano passado, o jornalista David Pogue, da rede de TV americana CBS, juntou-se a uma expedição da OceanGate ao Titanic e foi informado de que o submarino tem sete sistemas de segurança para ajudá-lo a retornar à superfície. São eles:

  • Pesos triplos: três tubos de chumbo que podem ser liberados através de mecanismos hidráulicos para o submarino flutuar mais.
  • Pesos de rolagem: se o sistema hidráulico falhar, aqueles dentro do submarino podem inclinar o submarino se movendo para algum ponto dele e liberando pesos de rolagem.
  • Bolsas com material pesado: os motores podem ser usados ​​para liberar bolsas cheias de granalha de metal posicionadas abaixo do submarino.
  • Elos fusíveis: ligações que se desintegram após 16 horas no mar com a função de soltar as bolsas com granalha, em caso dos sistemas elétrico e hidráulico falharem.
  • Propulsores: têm o objetivo de empurrar a embarcação para a superfície.
  • “Pernas” do submarino: o piloto pode ejetar as pernas do submarino para liberar o peso.
  • Airbags: a tripulação também pode inflar airbags para ganhar flutuabilidade

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