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Onda de chroma key nas emissoras locais: inovação ou busca por economia?

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11 de março de 2026 (Atualizado: 11/03) • 3 min de leitura

Foto: Reprodução/Internet
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Quando uma emissora regional anuncia um novo cenário com “tecnologia de ponta usada em produções da Disney”, o telespectador mais atento já pode ligar o sinal de alerta: lá vem corte de gastos disfarçado de modernidade. A nova moda entre as afiliadas da Globo, que já começou a respingar também nas parceiras da Record, é o uso maciço do chroma key (o famoso fundo verde) nos telejornais. Mas a pergunta que fica é: isso é realmente um investimento ou apenas uma regressão estética?

Cenário Virtual da InterTV tem um carpete físico

A verdade nua e crua é que construir e manter um cenário físico de qualidade custa caro. Projetos cenográficos exigem milhares de reais do caixa das empresas. Substituir madeira, acrílico, painéis físicos e iluminação dedicada por um cenário virtual é, no fim das contas, a saída perfeita para economizar.

TV Correio/Record também mudou para o chroma e a apresentadora ganhou poder de flutuar como na Asa Branca

Diga-se de passagem, criatividade e ousadia nunca foram o forte das emissoras locais quando o assunto é cenografia. Os lançamentos quase sempre geram decepção no público. Sendo justo, as raras exceções que surpreenderam positivamente nos últimos tempos e entregaram estúdios físicos de respeito foram os atuais telejornais da TV Pajuçara e o espaço da Gazeta News. Já o cenário principal da TV Gazeta… digamos que tinha potencial para ser bem melhor do que o resultado final entregue.

Na guerra do cenário virtual, a execução é o que separa o aceitável do desastroso. A TV Asa Branca entrou de cabeça na tecnologia, mas quem tem se saído melhor nessa brincadeira é a InterTV. No vídeo, percebe-se um projeto executado com mais cuidado técnico. Não vemos tantos recortes falhados na silhueta do apresentador e a sacada simples de manter um carpete físico no chão fez toda a diferença. Isso devolveu um mínimo de textura e naturalidade à imagem, eliminando aquela sensação bizarra de que o âncora está flutuando no meio do estúdio.

Ainda assim, o que realmente assusta é ver o famigerado “padrão de qualidade” da Globo aceitar esse tipo de regressão em suas praças. A precarização visual empobrece o jornalismo local, fazendo com que profissionais de renome apresentem as notícias em estúdios que, muitas vezes, lembram trabalhos amadores de faculdade mal renderizados.

Nadando contra a maré do fundo verde

Cenário da TV Tribuna / Foto: Divulgação

Enquanto a maioria segue pelo caminho da economia e do virtual, a TV Tribuna (também afiliada da Globo) mostrou como se joga o jogo da televisão de verdade. A emissora surpreendeu a todos ao investir pesado em um cenário físico imponente. Com abundância de painéis de LED e a redação real perfeitamente integrada ao fundo, entregaram um visual robusto, digno de uma cabeça de rede nacional, e não apenas de uma afiliada regional. Fica a lição: quando há vontade e orçamento, a televisão local não precisa se esconder atrás de uma tela verde.

Cenário da Tribuna no novo JT2 / Reprodução: TV Tribuna

Sobre Junior Calheiros

Marketeiro por formação, publicitario.

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